
Escrita por Antoine de Saint-Exupéry
— Bom dia, disse o principezinho.
— Bom dia, respondeu o guarda-chaves.
— Que fazes aqui! — perguntou-lhe o principezinho.
— Eu divido os passageiros em blocos de mil, disse o guarda-chaves. Despacho os trens que os carregam, ora para a direita, ora para a esquerda.
E um rápido iluminado, roncando como um trovão, fez tremer a cabine do guarda-chaves.
— Eles estão com muita pressa, disse o principezinho. O que é que estão procurando?
— Nem o homem da locomotiva sabe, disse o guarda-chaves.
E trovejou, em sentido inverso, um outro rápido iluminado.
— Já estão de volta? — perguntou o principezinho...
— Não são os mesmos, disse o guarda-chaves. É uma troca.
— Não estavam contentes onde estavam?
— Nunca estamos contentes onde estamos, disse o guarda-chaves.
E um terceiro rápido, iluminado, trovejou.
— Estão perseguindo os primeiros viajantes? — perguntou o principezinho.
— Não perseguem nada, disse o guarda-chaves. Estão dormindo lá dentro, ou bocejando. Só as crianças esmagam o nariz nas vidraças.
— Só as crianças sabem o que procuram, disse o principezinho. Perdem tempo com uma boneca de pano, e a boneca se torna muito importante, e choram quando a gente toma...
— Elas são felizes... — disse o guarda-chaves.